« 2007-10 | HomePage | 2007-12 »

29/11/2007

Rock it again, Fred!

1985. A new music on the radio, Marcia baila. A new group, the Rita Mitsouko. Two people, Catherine Ringer, the freak, and Fred Chichin, the dandy, started to shake the sleeping rock music in France.

20 years of innovation, of good lyrics, of good music.

Yesterday Fred Chichin, the guitar player, died of a "striking cancer", said the newspaper, whatever that may be. Play it again!

 

 

11:30 Posted in Music of the month | Permalink | Comments (0) | Email this

22/11/2007

O caso do 'O' com um copo

The case of the 'O' with a glass... I've heard this story so many times, told by my friend Saulo Silveira. He finally wrote it down. Here it is in all its brazilian freshness. With some time I will translate it.

------------------- 

Anos 70, ditadura militar e o Brasil na "Era do milagre econômico", os milicos mandavam e desmandavam, como senhores feudais; o ministro da educação Coronel Jarbas Passarinho falava em acabar com o analfabetismo e criava o programa Mobral, Movimento Brasileiro de Alfabetização, grande projeto do momento; na rádio, tocava sem parar a música de Tom e Ravel, dois cantores populares:
"...Eu tenho as minhas mãos domáveis e uma sede de saber, então me ensina a escrever...",

Para grande comoção pública, e todo mundo ouvia com o coração piedoso, pronto para ensinar o be-a-bá.

A tarde caía, entrando pela boca da noite. Chico Duro, João Preto, Joaquim, Toizinho da Sá Jóve, Manuelão, João Roxo, Miquelino e eu estávamos reunidos na porta da casa do Mané Barrado, matuto curtido pela vida dura do campo, caboclo velho, encurvado, barba grisalha.

A conversa ia ganhando terreno, e eu, de repente, comecei a pensar como seria bom ensinar o pessoal a escrever ou pelo menos a assinar o nome, que dava direito ao título de eleitor, para poder votar (se bem que não para presidente, porque nessa matéria só votavam os militares)

E a conversa prosseguia em toada de boiada, aboiando os assuntos, Mané Barrado agachado pitando o cigarrinho de fumo goiano, coisa boa, coisa de bom gosto, cheirinho bom de fumo queimando no ar. Assentei bem o momento e comecei a conversa, falando pausadamente, explicando. Minha gente, temos que construir uma escola, levantamos uma casinha praquelas bandas, o governo está dando o material, não quer o povo analfabeto, quer o povão todo letrado, eu vou na cidade e falo com o prefeito e ele me dá o material, quadro negro, giz, livros, lápis, cadernos.

Então Mané Barrado se aproxima, olha nos meus olhos com jeito solene, e me fala:

- Eu sei fazer um “ó” com o copo...

Olhei pro matuto e vi dignidade naqueles olhos, fiquei matutando, sentado no toco de jacarandá, e olhava Mané Barrado agachado na minha frente, esperando pelas minhas palavras. Então mirei o Mané Barrado nos olhos e disse:

- Então, homem, faz o “ó” com o copo!

Mané Barrado virou a cara na direção da cozinha, espichou os lábios e, soprando forte, gritou pra filha:

- Maria das Dores, traz o copo, minha filha.

Lá de dentro escuto a vozinha doce e infantil, “já vai pai...”

E lá vem Maria das Dores, linda caboclinha, aos pulinhos, contente, enxugando o copo na barra do vestidinho. Era o único copo daquela casa, copo pra Mané Barrado beber a Januária, pinga boa. Mané Barrado adorava espiar a luz refletida no copo, pegou o copo de vidro e olhou contra o restinho de sol da tarde, depois emborcou no chão, pegou um carvão na fogueira ao lado e, com sacrifício, começou a riscar em volta do copo, as mãos trêmulas, incertas, tateando, tentando segurar o carvão com imensa dificuldade, o seu "ó" tomando forma. A caboclada juntou em volta, espiando admirada. Após algum tempo, Mané Barrado retira o copo do chão, vê a letra "ó" de sua autoria e olha para mim com orgulho e triunfo.

Aquietei as minhas vistas no desenho daquele homem, na mensagem, e fiquei pensando: este caboclo nunca teve um lápis na mão, nunca teve uma folha de papel nem instrução. Levantei-me com solenidade, olhei-o de novo e disse-lhe:

- Olha, Mané Barrado, tu sabe fazer um "ó" com o copo, é um patrimônio teu, ninguém te tira este direito. Tu quando morrer vai ser enterrado com este patrimônio...

Vi que ficou emocionado , vi o quanto ele se sentiu feliz. E como foi bom eu lhe ter falado dessa forma. O tempo passa, passam as nuvens, o carcará passa, o jaburu, passa a passarada pelas bandas do céu, como a minha vida também passa e assim, cumprindo a sina do destino, fui morar no Rio de Janeiro, depois de uma mão cheia de tempo, trabalhando em agências de publicidade.

Trabalhava duro e cada dia mais, querendo aprender; usava a ilustração da publicidade apenas para desenvolver a minha pintura e pintava com paixão; à medida que evoluía na pintura eu desprezava cada vez mais a ilustração publicitária; ia ganhando os meus cobres e torrava tudo em material de pintura e livros, guardando um pouco na poupança, para os dias de vacas magras.

Mas o novo governo civil do Brasil, em meio a uma crise econômica, tomou uma decisão inesperada e bloqueou a poupança dos cidadãos, na tradição autoritária, deixando-me sem o meu suado dinheirinho. Fiquei com um único patrimônio, eu mesmo, juntei as minhas coisas e vim para Lisboa como pude.

Cheguei trazendo apenas o meu “ó” com o copo, porque este patrimônio, o nosso saber, como disse daquela vez ao Mané Barrado, ninguém nos tira. Nada vale mais do que fazer um “ó” com o copo.

A arte é um eterno aprendizado e aperfeiçoamento espiritual.

09:20 Posted in Stories to think about | Permalink | Comments (0) | Email this

16/11/2007

Popular wisdom - IV

Le seul temps réel, c'est quand on est assis, sinon ça change, comme il a dit, Einstein.

Brèves de comptoir - J-M Gouriau

The only real time, it's when you're seated, otherwise it changes, so said Einstein.

13:30 Permalink | Comments (0) | Email this

14/11/2007

Spinach and chick peas soup

Here is a recipe, half-way between a soup and a complete dish, a well-balanced recipe mixing cereals, dried vegetables and greens. And it's delicious!

-----------------------------


1 cup of long grain rice

36c0a7a938643675157b32d518a76a4f.jpg

1 cup of red lentils (coral)

1 small can of chick peas

3 or 4 handfuls of fresh spinach

Pieces of brocoli (optionnal) 

1 onion, chopped

3 garlic gloves 

1 cube of vegetable broth 

2 tsp of garam massala, in seeds

-----------------------------

1. Heat some olive oil and fry the spices, then the onion and garlic.

2. Add the rice and lentils, stir to fry them a bit, then add 1,5 liter of water and a cube of broth. Cover and cook for 10mn.

3. Add the chick peas, and the brocoli if you have some, cook for 5 mn.

4. Cut the spinach leaves in stripes, add them at the end (they don't need to cook, staying in the hot water will be enough).

5. That's all, folks! 

-----------------------------

Regarding the spices, I like tu use garam massala because it's a mix of cumin, coriander, cloves, cardamom, cinnamon and laurel. This time I've also added one piece of starred aniseed, and I think that made the difference.

10:30 Posted in Favourite Food | Permalink | Comments (0) | Email this

09/11/2007

Happy Diwali

47fc3370f770a4248483c3a51845d0f4.jpg
 
It's Diwali again, may this new year be bright and happy, funny and peaceful. Make it worth to be lived.

11:02 Posted in Snapshots | Permalink | Comments (0) | Email this

06/11/2007

Popular wisdom - III

Sur Internet, c'est la foule avec l'avantage qu'il n'y a personne.

Brèves de comptoir - J-M Gouriau

The internet is crowded with the advantage that there is nobody. 

13:44 Posted in Quotes & Aphorisms | Permalink | Comments (0) | Email this

04/11/2007

Thick soup of the fall

Back to the soup season and time to try some new recipes. Here is one for my friend Teresa, who doesn't like pumpkin so much, a thick velvety soup, with a taste of cheese.

-----------------------------

645687b00da4b208b3dec1e074e050e8.jpg1 kg of pumpkin, cut in cubes

2 potatoes

2 onion, cut in rings

150 g of blond lentils 

200 g of blue cheese 

3 garlic gloves 

1 dl of cream

-----------------------------

1. Heat some olive oil and fry the onion and garlic.

2. Add the pumkin and the potatoes. Cook for 10mn, stirring regurlarly.

3. Add the lentils and 1l of water. Cover and cook for about 40 mn.

4. When cooked, mix with a liquidizer. Add the cream and the blue cheese, mix again. Serve with pieces of crusted bead.

13:30 Posted in Favourite Food | Permalink | Comments (0) | Email this